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Sumaré na Mídia



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Três etapas para uma boa reunião de pais

Revista Nova Escola

Edição 244 - Agosto de 2011
Rita Trevisan

 

Todo educador sabe que é um desafio conduzir uma reunião de pais proveitosa. Afinal, os familiares chegam a esse tipo de encontro com muita expectativa para saber sobre os filhos, o que pode resultar em discussões a respeito de problemas individuais e afastar o debate da pauta organizada. Para evitar armadilhas como essa, é preciso começar a preparação bem antes da data prevista para a realização do encontro.

 

Se bem planejadas, as reuniões de pais ajudam a estabelecer um diálogo produtivo com as famílias e levantar informações que podem ser úteis na organização da rotina na creche. Essa troca de ideias também faz bem aos familiares, pois eles conseguem entender como as propostas de trabalho desenvolvem as habilidades de seu bebê e ampliam as experiências deles. "Quando os responsáveis pela Educação da criança em casa e na escola conversam, têm mais elementos para entendê-la e apoiá-la", diz Janaina Maudonnet, professora da especialização em Educação Infantil da Faculdade Sumaré, em São Paulo. Para que as reuniões deem certo, elas devem contemplar três etapas, apresentadas a seguir.

 

Preparação

 

A organização do encontro deve ser feita em parceria com a coordenação pedagógica. Ele deve ter objetivos claros e seguir uma programação predeterminada. Reuniões extensas e com pautas confusas afastam os pais da escola. "Assim como os educadores reclamam de encontros de formação que não levam a lugar nenhum, os pais sentem que perderam tempo quando não conseguem aproveitar as reuniões", diz Elizabete Godoy, formadora do Centro Brasileiro de Filosofia para Crianças, em São Paulo. O repasse de informes, por exemplo, pode ser feito por escrito.

 

É preciso definir, com bastante antecedência, a data das reunião e a forma de divulgá-la. O aviso pode ser feito por meio de indicações no calendário entregue no início do ano, de cartazes, bilhetes na agenda, e-mails, telefonemas e pessoalmente. Quanto mais canais de comunicação forem estabelecidos, melhor. Também é importante pensar em soluções para quem não tem com quem deixar as crianças. Uma saída é organizar um espaço onde elas possam ser recebidas durante o encontro - um funcionário deve ser destacado para cuidar delas.

 

A participação de outros parentes próximos ao pequeno deve ser estimulada quando a presença dos pais não é possível. "É fundamental que a pessoa conviva cotidianamente com o bebê e o conheça, o que permite a ela fazer intervenções durante a reunião", explica Maria Letícia Nascimento, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). Outra providência é escolher um horário que não seja proibitivo para os responsáveis. O ideal é reservar o período da noite ou os sábados.

 

Encaminhamento

 

Colocar-se na posição de especialista que tudo sabe não surte efeito. "Os pais também têm muito a contribuir. É preciso prever um espaço para a troca de ideias. O direito à voz enriquece esse tipo de encontro", defende Janaina. A fala deles deve ser valorizada, mas precisa estar prevista dentro de uma programação de atividades para que os objetivos gerais não se percam. Durante o encontro, sempre que possível, faça observações sobre o que os familiares disserem, intervindo de modo a levar questões apresentadas por eles do campo particular para o geral. "Passamos orientações que valem para todas as crianças. Por fim, atendo os pais interessados em conversas individuais", explica Tereza Cristina Bonfim Alves, educadora do CEINF Adriana Nogueira Borges, em Campo Grande.

 

Ela, que conhece bem os pequenos, é responsável por conduzir as reuniões: mostra os portfólios e explica as etapas do desenvolvimento infantil, associando-as às atividades desenvolvidas. De acordo com Janaina, é interessante mostrar os resultados de alguma proposta, justificando a importância do tema e refletindo com os pais sobre o tipo de aprendizado que ele trouxe à criança. Nesse momento, convém estimular a participação deles, uma vez que podem contar como a aprendizagem de determinados conteúdos repercutiu em casa. Outra possibilidade é mostrar fotos e vídeos simples, feitos com base em imagens captadas no dia a dia em sala. "Mesmo que os pais estejam interessados apenas em seus filhos, é muito importante que conheçam a dinâmica do grupo, as relações interpessoais e a maneira como todos olham e compreendem as atividades propostas", complementa Maria Letícia. No CEINF Jardim Rodolfo Pirani, em São Paulo, a educadora Denise Beraldo fez um painel de fotos e um vídeo das crianças no período de acolhimento, no início do ano letivo, para usar na reunião. "O objetivo era mostrar a rotina da creche e as interações entre os pequenos", explica. O encontro foi acompanhado pela coordenadora pedagógica, que esclareceu dúvidas gerais sobre a escola, fez fotos do evento e tomou notas dos temas discutidos para debater com a equipe de educadores posteriormente.

 

Avaliação

 

Para aprimorar continuamente os encontros com familiares, uma boa ideia é analisar as impressões dos presentes sobre o evento. Isso pode ser feito por meio de um questionário, preenchido ao fim da reunião. Com base nele, será possível avaliar o evento e discutir seus desdobramentos, levantando, por exemplo, temas para os próximos. "Uma conversa com a coordenação também pode ajudar a definir os passos seguintes", diz Cisele Ortiz, formadora do Instituto Avisa Lá, em São Paulo. A socialização dos resultados também deve ser valorizada. Divulgar fotos e depoimentos dos pais durante a reunião em murais na escola ou em sala pode ser uma boa estratégia, bem como compartilhá-los com as crianças. Vale ainda encerrar o trabalho com o envio de um resumo do encontro para quem não pode comparecer e também a apresentá-lo à equipe escolar.